Meditação © Amplo Publications

1 de fevereiro de 2018

Insaciáveis São os Olhos do Homem

“O Sheol e a Destruição são insaciáveis, como insaciáveis são os olhos do homem” (Pv 27.20 NVI).


Li, recentemente, sobre certa Sra. Wolfner, da cidade de Chicago, nos Estados Unidos, que morreu aos 62 anos de idade, em janeiro de 1962, deixando uma boa quantia para seus dois filhos adotivos. O que me chamou a atenção foram as informações que o artigo oferecia sobre o guarda-roupas dessa senhora. Ela, uma das mulheres mais ricas da cidade, possuía por volta de 25 mil peças de vestuário, as quais acabaram sendo vendidas em um leilão público. Suas roupas incluíam mais de mil vestidos, cada um deles combinando sua própria bolsa. Havia, ainda, cerca de quinhentos casacos e 1.500 pares de sapatos.


Realmente, o número de roupas dessa mulher impressiona. Faz-nos perguntar: “Por que alguém compraria tantas roupas?”. O fato é que muita gente deseja bem mais do que precisa e, caso tenha possibilidade de obter, acaba possuindo coisas até desnecessárias. Para falar sobre essa cobiça incontível, Salomão estabelece uma base dramática de comparação, dizendo que “o Sheol e a Destruição são insaciáveis”. “Sheol” e “Destruição” são termos usados para representar a morte, de modo que a questão exposta pelo escritor é que a morte nunca termina, sempre desejando alcançar mais gente. Em outras palavras, até que a eternidade comece, teremos de conviver incessantemente com a morte, sempre perdendo para ela pessoas após pessoas. Segundo essa figura, o provérbio explica que, do mesmo modo, são “insaciáveis são os olhos do homem”. É como dizer que, assim como a morte nunca se cansa de levar para si os vivos, os olhos humanos nunca se cansam de desejar o que veem.


O mesmo assunto é abordado de modo breve pelo mesmo autor em Eclesiastes 1.8, que diz que “olhos nunca se saciam de ver”, apontando, de relance, o fato de que as pessoas não costumam se satisfazer facilmente. Por isso, também, o apóstolo João classifica os pecados humanos em “a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens” (1Jo 2.16), dos quais a “cobiça dos olhos” é justamente o impulso insaciável de possuir tudo que os olhos veem e desejam. O resultado é o consumismo exagerado que gera problemas financeiros, a troca de valores que faz a pessoa se avaliar pelo que tem e não por quem é, a ostentação das posses que faz com que o orgulho seja cada vez mais atiçado e o desprezo pelas pessoas que possuem poucos bens. Ironicamente, esse é um dos piores tipos de escravidão, pois atinge igualmente tanto pessoas pobres como ricas. Por isso, o sábio ama a Deus, valoriza sua salvação e não se deixa dominar pelo amor ao mundo. Ele sabe utilizar os bens sem que eles o dominem. Afinal, de que adianta ter muito e se sentir como se não tivesse nada? Se isso acontecer, você pode ter 25 mil roupas e, ainda assim, achar que não tem o que vestir.


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