Meditação © Amplo Publications

3 de janeiro de 2018

Falando Abertamente

“Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos” (Pv 27.5,6 NVI).


Nos tempos escolares, havia dois amigos muito próximos em minha classe. Eles faziam tudo juntos e confiavam um no outro. Certo dia, um deles começou a enveredar por um caminho tortuoso que lhe traria consequências em um futuro não tão distante. Procurei o outro rapaz e lhe pedi que aconselhasse o amigo, mas ele disse que não queria se meter nos negócios particulares do outro. Sendo assim, eu mesmo o procurei e lhe abri os olhos para o risco que corria, dando-lhe uma severa bronca a certa altura da conversa. Não é sempre que as pessoas seguem bons conselhos, mas nesse dia aquele rapaz o seguiu, deixando o caminho ruim. Passado algum tempo, ele me procurou e disse: “Obrigado! Você foi um amigo de verdade”.


Esse caso reflete um ensino sábio de Salomão no qual ele diz que “melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto”. Quanto ao que seja uma “repreensão” aberta não há dúvidas, mas é necessário falar sobre o que é o que ele chama de “amor oculto”. Ele não está pondo em dúvida os sentimentos de amor, seja em sentido romântico ou característico de verdadeiros amigos. O que ele critica é a ausência de ações que deveriam acompanhar a amizade. O “amor oculto” é a atitude daquele que afirma sua profunda conexão um com outro, mas que falha em agir quando é preciso contrariar os rumos do amigo, dando-lhe conselhos e até repreensões, se necessárias. É claro que essa é uma tarefa dura e arriscada, pois significa mexer em áreas sensíveis que podem causar atritos. Mas o amigo de verdade ama genuinamente e não se esconde por covardia ou comodidade.


Pensando nessa relação de dever que há entre amigos, o escritor diz que “quem fere por amor mostra lealdade”. Curioso, pois, normalmente, se esperaria que a amizade evitasse causar ferimentos. Mas esse tipo de ferida é diferente por ser o preço do benefício e do bem-estar. É por isso que pessoas que não se importam com as outras raramente se dão ao trabalho ou se arriscam em correções de erros alheios, de modo que o final do provérbio diz que “o inimigo multiplica beijos”. Essa nova e aparente contradição é muito dura, pois chama de inimigos aqueles que dizem amar, mas que não assumem a responsabilidade de corrigir quando necessário. Por isso, pense bem que tipo de amigo é você e que tipo de amigos você tem ao seu redor. O amor verdadeiro às vezes é dolorido, mas sempre faz bem.

pr. thomas tronco
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