Meditação © Amplo Publications

14 de março de 2016

Mais Uma Chance

Quando resolvi escrever esse texto, não sabia ao certo se dava o título de ”Aproveite as Oportunidades" ou "Mais uma Chance". Resolvi optar por "Mais Uma Chance" porque foi para mim o clímax do que aconteceu.


Era um dia normal de trabalho, e eu estava sentado em minha cadeira de costume, olhando na lupa iluminada de minha mesa, quando senti um forte cheiro de cigarro no ar. Olhei para o meu lado esquerdo e vi um rapaz, parado, olhando para mim, com um sorriso bem amigável, como se estivesse observando atentamente os meus movimentos na lupa. Antes que ele falasse comigo, olhei para ele e disse em tom de brincadeira:


-  Você fuma? Ele, prontamente perguntou se o cheiro estava muito forte.


- Normalmente, qualquer cheiro de cigarro é forte para mim, respondi. Mas não se sinta culpado, o problema é do meu nariz.


Então ele, sempre amigável, perguntou:


- Você nunca fumou?


Falei que quando estava na pré-adolescência tinha experimentado, escondido, debaixo do assoalho de minha casa, um cigarro do meu padrastro, mas que a experiência não tinha sido das melhores. O assoalho de nossa casa ficava mais ou menos a um metro do chão, e era perfeito para se esconder e aprontar qualquer coisa longe dos olhos da minha mãe. Mas toda aquela fumaça ali foi sufocante e nada agradável.


Aproveitando a deixa, perguntei:


- E você, quando começou a fumar?


- Acho que eu deveria ter uns treze ou quatorze anos, respondeu com o mesmo sorriso. Meus amigos fumavam, então resolvi fumar também para não ficar para trás.


Prologando a conversa, inconscientemente, perguntei:


- Mas você gosta de fumar ou é algo que você já se acostumou?


Ele afirmou que no início não achou muita graça, mas que agora se sentia muito bem fumando, como se o cigarro lhe trouxesse um ânimo a mais, uma energia maior para fazer coisas.


- Interessante como as pessoas são diferentes, falei. Quanto eu tinha a sua idade, eu não precisei de nada disso para ter ânimo e vontade de fazer coisas. Na verdade, tive uma vida muito ativa e fiz coisas que se você olhar hoje para mim não acredita que um dia fui capaz de fazer o que fiz.


- O quê você fez de tão assombroso? perguntou curiosamente.


Pausei por um momento, com dúvida se contava ou não alguma coisa para ele, como se meus neurônios estivessem querendo me preservar de uma exposição que poderia trazer boas ou más impressões de mim.


- Por incrível que pareça, respondi, eu era membro de uma gangue do meu bairro.


- Gangue! Sério?! Mas cadê as tatuagens? Perguntou sorrindo.


- Ainda bem que nessa época as tatuagens não estavam na moda na minha cidade, e eu era muito jovem.


- Mas o que você fez de tão ruim? Insistiu.


- Muita coisa! Se hoje estou aqui conversando com você é porque eu coloquei minha cabeça para funcionar mais do que a dos meus comparsas.


Ao mesmo tempo que eu conversava com ele, eu também estava consertando o que ele me trouxera para ser consertado. E nesse momento exato eu acabara de completar o serviço e o entreguei a ele. Novamente e sempre amigável, ele sorriu e falou:


- Muito interessante sua história. E ele se foi.


Depois que ele se fora, eu cai em mim, como se o Espírito estivesse me dizendo: "Por que você não falou de como Jesus transformou a sua vida?" Então abaixei a cabeça, fiz um a oração de Neemias pedindo perdão a Deus e clamando por mais uma chance. Quando levantei os olhos o rapaz estava passando pela minha frente. E sem titubear, chamei-o e disse:


- Eu não terminei de contar a parte mais interessante de minha história.


- Ah, é! Qual foi?


- Eu lhe falei o que fiz e fui, mas eu não lhe falei a razão porque estou hoje aqui. Se hoje estou aqui é porque um dia, no meu passado, eu reconheci que a vida que eu estava levando era errada. E foi aí que Jesus entrou na minha história. Eu ouvia falar que Jesus veio a esse mundo e morreu pelos meus pecados. Até mesmo frequentava uma igreja. Mas isso só fez sentido para mim quando eu decidi acreditar em Jesus e pedi para que ele mudasse a minha vida. E acredite, Ele perdou os meus pecados e me deu uma nova vida. E se eu hoje estou aqui, Ele, Jesus, é a razão disso.


Quando eu contava minha história para aquele jovem, que devia ter os seus vinte e quatro anos, ele sempre se mantia com um rosto amigável e sorridente, como se estivesse vibrando com os fatos que eu relatava. Mas quando eu falei que Jesus fez tudo isso minha vida, o semblante dele mudou de amigável para retrospectivo. Ele se limitou a balançar a cabeça de uma maneira afirmativa, que poderia significar muita coisa, até mesmo uma decepção pelo desfecho de minha história.


Talvez eu nunca saberei o que ele pensou. Mas quem sabe um dia ele se encontre comigo e diga que o que ele ouviu de minha boca fez uma diferença total em sua vida. Mas uma coisa eu digo: A segunda chance que tive foi uma recompensa mui gloriosa naquele momento, como se eu estivesse recebendo um aperto de mão do próprio Senhor Jesus Cristo, dizendo: "Muito bem, servo bom e fiel!"

Armindo Lobato

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11 de março de 2016

Carlos Viana           Uberlândia-Brasil Muito boa e incentivadora a palavra de hoje, para toda e qualquer área de nossa vida. Embora saiba que todas tem  sido muito boa também.  Um grande Abraço